Temer confundiu os verdadeiros cavaleiros de Carlos Magno com os lendários do rei Artur

Por Rodrigo Vizeu

A primeira entrevista de Michel Temer à frente em definitivo da Presidência da República, ao jornal “O Globo”, veio acompanhada de uma gafe.

O presidente fez uma confusão e relacionou o imperador Carlos Magno, que existiu, à Távola Redonda, que é lenda.

Ao fim da entrevista, relata o diário carioca, Temer olhou para a mesa de seu gabinete, com 12 lugares.

“Eu me sinto aqui como Carlos Magno. Quando eu tinha 11 anos de idade, eu ganhei um livro chamado ‘Carlos Magno e os 12 cavaleiros da Távola Redonda’ e eu li aquele livro e era assim: os 12 cavaleiros”, disse, segundo o jornal.

Os cavaleiros da Távola Redonda eram, de acordo com a literatura medieval europeia, ligados ao lendário rei Artur. Embora estudos indiquem que a figura teria conexão com algum líder militar que de fato existiu no atual Reino Unido, o monarca como o conhecemos é obra de ficção.

O formato circular da mesa do rei, forma idêntica à de Temer, seria para conferir aos cavaleiros que ali se reuniam status igualitário (no caso do governo brasileiro, tem exibido ascendência na mesa o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha).

O mais célebre cavaleiro da Távola Redonda era Lancelot. Nas histórias do rei Artur, aparecem ainda a espada Excalibur, a fada Morgana e o mago Merlin.

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Obra do século 14 retrata o mítico rei Artur

Via assessoria, Temer disse que, ao citar a mítica Távola Redonda, quis se referir, na verdade, aos “12 pares da França”, estes sim cavaleiros submetidos a Carlos Magno, rei dos francos que virou imperador e estendeu seus domínios pela Europa Ocidental na virada do século 8º para o 9º.

Os “12 pares” formavam uma espécie de tropa de elite a serviço do imperador. Destacava-se entre esses cavaleiros Rolando, que passou de nobre obscuro a um dos mais icônicos cavaleiros medievais após morrer em uma batalha. Segundo parte dos relatos, seria sobrinho de Carlos Magno.

Aos fatos se somaram lendas e Rolando virou objeto de um poema épico que canta seus feitos, “A Canção de Rolando”. Cultuado em diversas parte da Europa, o cavaleiro passou a ser retratado como um gigante com força descomunal e dono de uma espada indestrutível com a qual ele teria aberto uma gigantesca fenda na rocha até hoje existente nos Pirineus.

Estátuas de Rolando multiplicaram-se, sobretudo na atual Alemanha. O Brasil tem a sua em Rolândia, no Paraná, batizada, veja só, em homenagem ao cavaleiro de Carlos Magno.