Com dificuldade para bancar advogados, Collor questionou processo no Supremo

Por Rodrigo Vizeu

Assim como Dilma Rousseff, que recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra pontos com que discordava de seu julgamento no Senado, o então presidente afastado, Fernando Collor, também buscou judicializar seu processo de impeachment.

Uma das apostas de Collor foi a tentativa de que 29 dos 81 senadores fossem declarados impedidos de julgá-lo. Os alvos eram aqueles que atuaram na CPI que investigou o esquema de PC Farias e os suplentes de senadores que viraram ministros do presidente interino, Itamar Franco —e que perderiam o cargo se Collor voltasse ao poder.

O pedido não prosperou nem com o presidente do STF, Sidney Sanches (na imagem acima, à esquerda, recebendo a defesa de Collor), responsável pelo julgamento no Senado, nem em recurso à Supremo.

Uma troca de advogados feita na véspera do início do julgamento final só conseguiu adiá-lo em uma semana.

O presidente também se negou a depor na comissão especial do impeachment. “O risco seria transformar o interrogatório em um grande espetáculo”, disse seu advogado, José Guilherme Vilella.

Em defesa entregue aos senadores, Collor atacou o ex-tesoureiro de campanha PC Farias, dizendo-se “amargurado” e “revoltado” após tomar conhecimento das “atividades escusas” do empresário.

Com o salário reduzido à metade, o presidente penava para pagar seus advogados —de custo estimado em US$ 500 mil—, chegando a pedir ajuda a seu partido, o PRN.

“Não vamos abandonar o presidente nesta hora”, avisou o presidente do PRN, Daniel Tourinho, que empreendeu uma “campanha” para arrecadar fundos para pagar os advogados.

Amigo de Collor, o empresário Luiz Estevão anunciou que ajudaria a bancar a defesa do presidente. Ele, que foi senador pelo PMDB, teve o mandato cassado em 2000 e hoje está preso.