Afastado, Collor pensava em reunir aliados em novo partido, o PSOL

Por Rodrigo Vizeu

Afastado da Presidência em 2 de outubro de 1992, Fernando Collor se manteve em situação análoga à de Dilma Rousseff até 29 de dezembro.

Naquele dia, o mesmo em que o Senado iniciou seu julgamento final, o presidente renunciou, em tentativa de suspender o impeachment.

O plano foi rechaçado pelos senadores e Collor foi condenado definitivamente na madrugada do dia 30.

O humor presidencial mudou ao longo do processo.

O mesmo Collor que dizia confiar em “besteiras” do vice Itamar Franco para retornar ao cargo passou a apontar a própria saída como irreversível.

Collor planejava aglutinar aliados que restavam em torno de um bloco parlamentar que se tornaria o embrião de um futuro partido, que, ironicamente, teria o nome de PSOL (Partido Social Liberal) –nada a ver com o atual Partido Socialismo e Liberdade.

Na reclusão da Casa da Dinda enquanto aguardava o veredito final do Senado, Collor preparava defesa, recebia apoiadores e falava à imprensa. A um mês de ser cassado, disse à CNN descartar renunciar e se sentir em um pesadelo.

“Acordo todos os dias e me pergunto até quando vai durar essa tortura”, afirmou.

Nos fins de semana, o presidente jogava baralho na casa de amigos como o empresário Luiz Estevão. Segundo eles, exibia desânimo e se mantinha praticamente calado.


Com a proximidade do julgamento final de Dilma Rousseff, o blog retoma a publicação de memórias de períodos equivalente durante o processo que cassou o mandato de Fernando Collor. Os textos também são publicados na seção “Enquanto isso, em 1992″, na edição impressa da Folha.

Essa é a segunda parte de uma série iniciada durante a votação da admissibilidade do pedido de impeachment de Dilma, na Câmara, em abril.

Nela, que pode ser lida no índice do blog, contamos histórias como a suposta dor de dente de um aliado que atrasou a apresentação da defesa do presidente, as participações de Lula no processo, um rompante de ira de Collor e como o hoje crítico a Dilma Ronaldo Caiado defendia o então presidente.