Às vésperas de votação, aliado de Collor oferecia cargos e ‘Diário Oficial’ ‘gordo’

Por Rodrigo Vizeu

Na semana passada, Fernando Collor condenou a oferta de cargos para salvar Dilma Rousseff, afirmando que não recorreu a tal prática durante a crise que levou a seu impeachment.

“Em nenhum instante houve qualquer tipo de negociação subalterna”, disse, segundo “O Globo”.

No entanto, no fim de setembro de 1992, com a acelerada perda de aliados e vendo a Presidência da República lhe escapar, Collor procurou aliados para discutir nomeações, registram os jornais da época.

Reportagem da Folha relata que em 25 de setembro, depois de a comissão do impeachment apoiar o afastamento, Collor prometeu postos na administração e liberação de verbas, que ocorreriam depois da votação no plenário.

“O ‘Diário Oficial’ vai sair gordo na próxima semana”, disse o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), na foto acima, um dos principais aliados do presidente, dizendo que estavam oferecendo cargos do oposicionista PMDB.

O governista Nelson Marquezelli (PTB-SP), ainda hoje na Câmara e sem posição declarada sobre o impeachment de Dilma, afirmava: “Não é nada de mais. A oposição também está loteando os cargos do governo Itamar Franco”.

O petebista também fez troça da minoria que o governo detinha no plenário. “É melhor dividir entre um terço do que entre dois terços da Câmara. Vai sobrar uma fatia maior do bolo para cada um. Se eles oferecem um cargo, nós podemos oferecer três.”

Na ofensiva, US$ 60 milhões do Ministério da Ação Social foram liberados entre julho e setembro de 1992, contra US$ 1 milhão nos cinco meses anteriores.

O Banco do Brasil também liberou recursos a pedido de governistas. O governo argumentava que seguia critérios técnicos.