Em 1992, tropa de Collor usou dor de dente para atrasar análise de defesa do presidente

Por Rodrigo Vizeu

Aliados de Fernando Collor usaram o pretexto de uma dor de dente para atrasar a análise da defesa do presidente na comissão que tratou de seu impeachment na época.

O dia 22 de setembro de 1992 era o último para que Collor se defendesse de seu pedido de afastamento.

A defesa do presidente foi apresentada às 18h30 daquele dia, mas o único deputado a recebê-la foi o presidente da comissão do impeachment, Gastone Righi (PTB-SP), aliado de Collor.

No entanto, Righi (à dir. na foto acima, ao lado do petista José Genoino) não deu as caras na sessão do colegiado marcada para aquela noite. Recebeu o documento do Planalto e foi para casa.

Segundo Roberto Jefferson (PTB-RJ), outro membro da tropa de choque collorida e que mais tarde viraria pivô do mensalão, Righi fora “tratar de um abcesso no dente”.

O plano dos governistas era que a defesa só fosse apresentada na comissão no dia 24. Antes disso, 23, o Supremo Tribunal Federal julgaria ação do governo contra o processo.

A decisão do STF foi desfavorável a Collor e a manobra do governo só adiou tudo em um dia –no mesmo dia 23 o relator da comissão, Nelson Jobim (PMDB-RS), deu parecer pró-impeachment em reunião convocada à revelia de Righi.

A defesa de Collor foi feita pelo advogado José Guilherme Villela, com apoio do assessor jurídico da Presidência, Gilmar Mendes, hoje no STF.

O documento não entrou no mérito da acusação de quebra de decoro por Collor, focando em falhas que tornariam o pedido inepto. Segundo Gilmar, o pedido invertera o ônus da prova.


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